O Futuro da Indústria de Laticínios no Brasil

O perfil da indústria de laticínios brasileira é formado em grande parte por pequenas empresas, em geral de agricultura familiar ou ligadas a pequenas cooperativas rurais. São micro e pequenas empresas, com baixa capacidade de processamento, ociosidade com grande presença, fruto de operação reduzida e da dificuldade de aquisição de leite. O reflexo se dá em um setor industrial fragmentado, com pouca concentração, baixa organização em associativismo para defesa de seus interesses.

Essas características estão ligadas à desafios e dificuldades que esse setor enfrenta. Os principais problemas são a concorrência entre empresas que estão em maior parte desorganizadas setorialmente, oscilações da economia e pouca oferta de mão de obra qualificada. Somando-se a isso, as pessoas que administram estas pequenas empresas acabam se preocupando com problemas menores ligados ao dia-a-dia da produção do leite. Isso é grave, pois questões importantes e que podem comprometer a sobrevivência dessas empresas são muitas vezes esquecidas.

Os pequenos laticínios brasileiros atendem principalmente os mercados regionais e o mercado nacional. Por outro lado, grandes corporações transnacionais têm buscado ganhos de escala para competir internacionalmente. Nesse sentido, a participação dos pequenos laticínios se reduz ano após ano no mercado nacional, fruto do resultado das fusões e aquisições operados pelas grandes corporações famintas por expandir seus domínios.

A competição com grandes empresas tem grande desequilíbrio. A margem de lucro dos laticínios é baixa e os ganhos se dão por volume comercializado. Logo, quanto maior a empresa, maior o volume de seus negócios e maiores os seus ganhos. O inverso também é verdadeiro. Ou seja, os pequenos laticínios sofrem com ganhos baixos e qualquer quebra na produção pode representar importantes prejuízos.

Outra fragilidade dos pequenos laticínios é decorrente dos elos da cadeia produtiva, atingindo diretamente o setor de suprimentos. Pequenas empresas têm pequeno poder de barganha. Some-se a isso o fato de que laticínios adquirem insumos de muitas outras indústrias e o resultado são mais problemas e dificuldades.

Só que esse cenário ainda pode ficar pior. A maior empresa de laticínios da Ásia, o Yili Group, vem expandindo a sua internacionalização de forma acelerada. Os movimentos do Grupo Yili incluem ações no Centro Europeu de Inovação, no mercado indonésio e a recente aquisição da a Chomthana, a maior empresa tailandesa de sorvetes.

É notório que a internacionalização da Yili Group irá causar impacto no mercado brasilieiro de laticínios. Isso é apenas questão de tempo. Então, quando a Yili chegar ao Brasil, encontrará um setor industrial fragmentado e fragilizado. Os pequenos laticínios brasileiros que já concorrem entre si, irão se deparar com um novo e poderoso concorrente, com impacto que poderá ser devastador para a indústria nacional do leite e derivados.

 

 

CARMEN THOMAZI – carmen@davinciprojetos.com.br

Diretora na empresa Da Vinci Projetos, participante do conselho de gestão da Vaportec Equipamentos Industriais e docente na Educação Executiva da FIPECAFI. Possui experiência desde a gestão de processos, devido à sua graduação acadêmica na área das Engenharias, sua formação no campo da Gestão de Pessoas, Educação, Neurociência e disciplinas correlatas. É responsável pelo planejamento, organização e condução dos trabalhos na Da Vinci, isoladamente ou coordenando determinada equipe de especialistas, de acordo com as demandas do trabalho em cada projeto.