Capa 29.11.2021

Curso de Planejamento e Controle de Manutenção – Aula 03

CODIFICAÇÃO DE MANUTENÇÃO

Código de manutenção.
Essa é a terceira aula do nosso Curso de Planejamento e Controle de Manutenção.
Clique para acessar Aula 01 e Aula 02.

Por que identificar e codificar?

Ao nosso redor, todos os objetos são identificados através de nomes e/ou códigos.
Um bom exemplo são nossos carros que carregam uma placa.
Por isso eles têm um código alfanumérico que os identifica no Brasil inteiro.
De forma individual.

Neste código, constam as informações de cada veículo, assim como:

  • fabricante,
  • – modelo,
  • – cor,
  • – ano de fabricação,
  • – nome do proprietário,
  • – estado no qual foi comprado,

Até as pessoas recebem códigos, que servem para identificá-las.
Eles trazem seus dados de nacionalidade, naturalidade, filiação, endereço, nome, idade, entre outros.

Mas a maneira que este códigos são criados, não pode ser a esmo.
Isto é, deve ser planejado.

Repare que as placas dos automóveis, possuem um layout específico com três letras e quatro dígitos.
Aliás, observe que esta disposição já foi alterada ao longo dos anos.
Em função da quantidades de automóveis.

Precisamos de um código (TAG) de equipamento.
Para que seja possível indicar onde foi realizado o serviço de manutenção dentro da fábrica.

O código (TAG) também vai identificar para o técnico em qual equipamento deverá ser realizado o conserto.
Precisamos de um código (TAG) para tirar relatórios para análises de falha, montagem de indicadores, relatórios de análise preditiva, entre outros.

Um código de equipamento possibilita a montagem da árvore de equipamento

Cadastrando e agrupando assim todas as informações do equipamento no sistema.
Dessa forma, pode atuar sem gastar tempo em consultas a manuais.

Através de um código (matrícula) também temos todas as informações a respeito do funcionário.
Assim como sua especialidade, formação, tempo de casa, treinamentos recebidos, etc.


Código: o que codificar?

Devemos codificar tudo aquilo que será colocado dentro do Programa de Controle e Planejamento de Manutenção.
Do ponto de vista técnico:

  • – fábrica,
  • – localização geográfica,
  • – setor da fábrica,
  • – sistema operacional ou máquina,
  • – equipamentos e suas respectivas árvores,
  • – ferramentas,
  • – dispositivos,
  • – EPI’s;

Do ponto de vista financeiro os centros de custos, ordens de investimento, verbas especiais.
Além disso, fornecedores externos e contratos de prestação de serviço.
Quanto se trata do ponto de vista de mão de obra:

  • – tipos de mão de obra,
  • – especialidade,
  • – atividades autorizadas,
  • – treinamentos e certificações,
  • – equipamentos autorizados;

Como codificar: criação de TAG’s

Sistemas de Códigos

Os códigos de identificação podem ser montados de três maneiras diferentes:
numéricos, alfabéticos e alfanuméricos.

Em alguns casos pode-se utilizar sistemas alfabéticos de outras linguagens.
Mas, por não serem utilizadas usualmente, não serão abordados neste trabalho. 

Criamos os códigos numéricos apenas com números.
São fáceis de montar.
Por isso possuem alcance fácil de ser visualizado e são facilmente memorizáveis.

Existe porém, uma dificuldade em interligar este tipo de equipamentos em máquinas e equipamentos.
Por exemplo, uma placa com apenas números, não diz nada por si só.


O que observar ao criar um código

Códigos Alfabéticos

Montamos eles utilizando apenas o alfabeto.
Nem sempre são fáceis de memorizar.
Mas, são fáceis de correlacionar com máquinas e equipamentos.

Como se escreve o nome dos equipamentos utilizando as letras, fica fácil imaginar a amplitude do código.
Para a mesma quantidade de dígitos, possui maior possibilidades de variação que o numérico.

Códigos Alfanuméricos

Estes são mais fáceis de montar e memorizar que os alfabéticos, principalmente.
Possuem maior amplitude que os outros dois citado anteriormente.
Dessa forma, são mais facilmente correlacionados com as máquinas e memorizadas nas oficinas.
Por exemplo, os códigos utilizados na matriz de criticidade.

  • 100-PR1-CP1-ML1

Amplitude do código:

O modelo final de código (TAG) só deve ser determinado após ser conhecida a quantidade de máquinas e equipamentos, que serão identificados.

Esse código deve ser previsto, sem exageros então,
Assim todos os equipamentos devem caber dentro do número de possíveis combinações de seus caracteres.
Então não podendo esquecer de possíveis ampliações e aquisições de máquinas.

Por exemplo, se tivermos 2000 equipamentos dentro da fábrica.
É errado pensar que conseguiremos identificar então todos com um código numérico de três dígitos.
Pois chegaremos no máximo a 999.

Outra forma de pensarmos isso.

Se montássemos nosso código com uma letra e dois números, teríamos 26x9x9=2106.
Dessa forma atenderia momentaneamente.
Porém atenderia em caso de expansão da fábrica? 
Então alterar um código é sempre problemático.
Além disso é trabalhoso e inconveniente para o usuário.

Alteração de código no planejamento de controle e manutenção

Identificar equipamentos para organizar a manutenção

Se observarmos a empresa como um todo, podemos perceber que se conhecem e identificam todos os itens dentro dela por seus colaboradores.

Para efeito de controle interno, existem diversos sistemas de identificação para o mesmo item.
Por exemplo, para controle do patrimônio, todos os bens são numerados e diferentes entre si.
Então duas cadeiras iguais não possuem o mesmo número.

O sistema de controle de itens do almoxarifado utiliza um código próprio para cada tipo de peça.

Por exemplo, um rolamento 6202, recebe um número de código de estoque.
Ele controla então a quantidade de rolamentos em saldo.
Quando se tira um rolamento de estoque, se debita do saldo atual, e o rolamento não usa mais aquele código.

Há um código para cada funcionário.
Há código de controle de custo, mas e a manutenção?
Consegue identificar e conhecer seus equipamentos, afinal?

Alteração de código no planejamento de controle e manutenção 2

Deve-se fazer a identificação de máquinas e equipamentos para um sistema de manutenção sempre que não houver interno na empresa que possa se aproveitar

Existem empresas em que pode-se aproveitar os códigos de equipamento das oficinas na empresa.
Isto é, com um ou dois algarismos.

Alteração de código no planejamento de controle e manutenção 3
Alteração de código no planejamento de controle e manutenção 5

Em empresas em que não existe qualquer sistema de códigos, devemos criar um sistema de codificação consistente.
Ele deve servir principalmente à empresa.
Respeitando assim a cultura interna e atendendo ao sistema de manutenção.

Para uma fácil identificação dos equipamentos, devemos utilizar então os códigos alfabéticos.
Além disso, para fácil memorização, deverá ter uma correlação com o nome do equipamento.
Por exemplo, uma bomba deverá constar um BO no TAG.

Para que possa mais facilmente saber onde a máquina está instalada devemos incluir no código uma referência à sua localização.

Se o equipamento estiver instalado na linha 02 da fábrica isso deve-se assinalar no código de identificação.
Dessa forma, facilmente interpretado em função da posição no código final.

Posição do código final

Se instalarmos o equipamento na linha 02 da fábrica de Novo Hamburgo.
Isto também deve ser identificado facilmente em função da disposição padrão dos códigos.

Quando um TAG é planejado, ele tem um layout já específico.
Onde há posições definidas para cada uma das informações citadas anteriormente.
Adiante, um exemplo de máscara de Código.

Máscara de código
Equipamento, subconjunto, sistema e fábrica

Identificar para gerenciar custos

O código para cada caixinha do organograma, chama-se Centro de Responsabilidade.
Pois é parte do organograma, que é responsável pela máquina.
Algumas empresas chamam de Centro de Custo ou Centro de Gastos.

O código que está na caixinha máquina, nós vamos chamar então de “centro de custo”.
Neste código, serão apropriadas e depois somadas as despesas de intervenções de manutenção.

Algumas empresas utilizam então apenas código numérico.
Com uma quantidade de algarismos padrão.
Onde há um número que representa a seção e outro o tipo de despesa.

Apresenta-se em algumas vezes a conta de custo fixo.
Isto é, quando se une o código de custo da máquina com outro código de despesa.

Por exemplo, o código da linha 01 da fábrica: 1001.
Código do serviço de manutenção mecânica: 2210.
Conta de despesa: 1001.2210.

Organograma empresa

Exemplo de organograma

Esta codificação é normalmente numérica.
Quando associada ao organograma, define para efeito de custos, onde gastamos o que foi gasto.

Para que se saiba onde estão sendo alocados os recursos.
Assim como mão de obra, materiais, sobressalentes, etc.
Haverá desdobramentos, para os diversos órgãos atendidos.

Se houver seis níveis hierárquicos, a estrutura montada então deverá ser com seis números.

Organograma

Problemas nas alterações de código

Quando os códigos de equipamentos são alterados em sistemas informatizados podem ocorrer os seguintes problemas:

  • Há problemas de inter-relação entre códigos novos e antigos;
  • – Necessidade de criar arquivos de transição;
  • Há necessidade de reprocessamento dos códigos existentes para atualização;
  • – Na atualização dos códigos, haverá perda de histórico dos equipamentos. Se for código de custo as perdas serão as mesmas;
  • Se o programador não encontrar uma maneira fácil de fazer o computador tratar o arquivo e codificar dentro do novo código, é mais certo que o arquivo será abandonado com todas as consequências danosas para o histórico;
  • – Os usuários deverão ser retreinados para assimilar  os novos códigos;

Prováveis alterações

Ampliação dos códigos

Quando o número deverá ter aumento de caracteres para melhor inter-relação com os equipamentos, necessitará de recadastramento de códigos.
Por isso, se for necessário, deve-se alterar as telas de trabalho do software.

Redução de códigos

O oposto ao caso exposto acima, não trará então as mesmas consequências.
Pois as posições abandonadas podem ficar vazias.

Redução de códigos

Mudança de Sistemas de Códigos

Quando, por exemplo, os números são substituídos por letras, para o usuário, é lógico.
Porém para o sistema informatizado não é.
Assim, todos os programas deverão ser refeitos se adaptando à nova realidade.

Desmembramento

É a criação da árvore de equipamento.
Quando há um código do equipamento e ele é desmembrado, identificando as peças que compõem, o equipamento.
Por exemplo, um compressor que outrora foi identificado apenas como compressor.
Passa a receber um código que o identifique como compressor de ar, de pistão ou palheta ou parafuso.

Compactação: Oposto ao conceito anterior.


Conclusão e recomendações sobre código

Antes de montar um sistema de codificação, estude profundamente o local onde ele será aplicado.
Levantando assim todos os dados necessários sob a evolução do sistema.
Além disso, se há possibilidade de expansão ou qualquer outra alteração.

Verifique se já não há sistema de codificação existente.
Principalmente se é possível utilizar ou adaptar a codificação já existente.
Ou se os códigos propostos não entrarão em conflito com os já existentes ou com a cultura da empresa.

Quando for determinar o modelo final do código, divulgue extensivamente para empresa.
Para dessa forma coletar observações antes de concluir o modelo final.

Treine as pessoas da fábrica, mostrando o código.
Além disso, descreva o significado de cada caractere.
Facilitando assim o entendimento e tornando a utilização efetiva e a memorização facilitada.

Então verifique se o software é adequado.
Se o layout disposto nas telas aceita o formato do código proposto.
O código deve ser então compatível com as configurações do programa.